Água dos Olhos

Permita que saiam, olhos meus
Elas, represadas, e suas irmãs
Que sigam seu fluxo rosto abaixo
Pois contê-las tem sido um fardo
E Deus prometeu carregá-lo
Já meus cílios envergaram
E as palpebras recusam seu sono
Fazendo vigília noite a fora
E dentro de mim
Carrego no olhar um prisma
Um arco-íris em preto e branco
De cores e feições tortas
Em lentes e brilhos mortos
Nascidos nas frestas do concreto
Em meio a soluços contidos
De uma alma gananciosamente farta
Com as mãos atadas nas costas
Joelhos dobrados em luto
Num combate entre o ser e o só
Certos que somente o tempo abrirá
Os céus e os olhos
Lavando o leito salgado deste rio
Seco e cansado

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Água dos Olhos