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242º Microconto

Atravessou todas as barreiras
com licenças poéticas.


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Podosofia II

Poesia é como um calçado que não laceia, cujo poeta teimoso insiste em calçar. Crescemos e ela continua lá, do mesmo tamanho. Diferentemente dos nossos pés, que crescem, engordam, incham e já não conseguem se acomodar. Com isso a poesia incomoda. Cria bolhas, fissuras, calos. Poesia dói nos pés e não se deixa esquecer. Mas o poeta teimoso a usa até gastar, até perder completamente o couro e a sola. Só então seus pés cansados conhecem o chão.


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Raios Opostos

caia a noite de branco Lua

cheia de mim se vai colhendo estrelas

esvai-se a deixar nascer menor

o Sol que pauta só o céu semeando arranjos

poentes, laranjas e negrumes

salpicos de sal na mesa celeste

onde copos de leite são derramados

nas vias de um recomeço


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Cuspa

O sussurro que grita aos ouvidos,
beirando a loucura do silêncio
inaudível a olhos nus,
deixa-se cair no torpor
amargo e lancinante da carne que geme
e se desdobra,
parindo verdades para dentro
e à frente de qualquer entendimento.


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Falo o que te fiz


a língua laça o seio

faz de sela o pelo

fê-lo agudo falo

anseio, gozo alheio


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242º Microconto

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Podosofia II

Poesia é como um calçado que não laceia, cujo poeta teimoso insiste em calçar. Crescemos...
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Cuspa

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Falo o que te fiz

a língua laça o seio faz de sela o pelo fê-lo agudo falo anseio, gozo alheio Leu?...
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